Muito se fala no número excessivo de farmácias e drogarias no Brasil, algo em torno de 3,3 estabelecimentos para cada 10.000 habitantes. Dado esse que imediatamente nos faz pensar na concorrência acirrada que permeia o setor.
Normalmente no início do ano fazemos as nossas análises do ano que se findou e os planejamentos para o ano novo.
Rentabilidade, faturamento, novos clientes, aberturas de lojas, estoques, são pontos de partida para uma projeção de um futuro próximo.
Mas será que isso é o que conta realmente? Temo que embora essas análises sejam importantes para nortear as ações de uma empresa sinto que falta algo que antecederia essas discussões.
Qual a sua vantagem competitiva em relação aos concorrentes? Em que você é diferente o bastante para possuir uma vantagem única.
A não identificação da vantagem única torna a organização desorientada frente ao mercado e vazia em termos de identidade própria. Ou seja, uma presa fácil para a concorrência.
Como um operador de uma sala de controle, tendo sido identificada a vantagem competitiva, posso direcionar os recursos da organização para que sejam alcançadas as metas traçadas.
Como identificar essa vantagem torna-se então o grande desafio nesse cenário de extrema concorrência. Um exercício que nenhum dirigente deve deixar praticar diuturnamente.
Em que posso ser bom o suficiente? Na venda de não medicamentos, de medicamentos. Ou o meu diferencial é o atendimento no ponto de venda. Pratico preços competitivos por que domino a minha cadeia de custos. Disponibilizo uma variedade de serviços, relacionamento impar com a vizinhança. Sou o bom suficiente na concessão de crédito ao cliente? O comercio eletrônico é meu forte. Minha grande capacidade de fazer negócios com os fornecedores?
Não pretendo esgotar as possibilidades da diferenciação, elas são dinâmicas e acompanham, antecedem ao mercado. São frutos de um profundo conhecimento de seus clientes, concorrentes, regulamentação setorial, fornecedores, distribuidores e principalmente naquilo que você dirigente acredita como empreendedor.
Recorrendo a conclusão de uma experiência realizada pelo Professor Gause em 1934 na Universidade de Moscou que estabeleceu o princípio da Exclusão competitiva -“Duas espécies que conseguem o seu sustento de maneira idêntica não podem coexistir” – pode-se associar ao mundo corporativo o mesmo fundamento da exclusão competitiva do mundo biológico.
Se não vejam as estatísticas lançadas frequentemente sobre a mortalidade das empresas.
Você sabe como se sustentar de maneira diferente em um mercado de um pouco mais de 50.000 farmácias e drogarias? Se a resposta for sim passemos, sem demora, para as metas de 2010.
Ronaldo Barbosa
Tags: comércio varejista, competição empresarial, drogarias, Estratégia, farmácias, marketing, marketing do varejo, planejamento estratégico, Professor Gause, varejista farmacêutico, varejo
5 05UTC dezembro 05UTC 2009 às 15:05 |
Muito bom o artigo. Com a concorrência cada vez mais acirrada, é realmente necessário buscar diferencias que agreguem valor ao negócio. Pena que a grande maioria ainda utilizem somente descontos como diferencial…
Espero ver no blog mais e mais artigos que nos ajudem a rever os nossos modelos.